Já
é possível perceber que diversas companhias estão dispostas a investir na
mudança da cultura organizacional para atingir um padrão diferenciado de
performance. No entanto, nem sempre a liderança entende qual é o seu verdadeiro
papel na construção de uma cultura orientada para a obtenção de resultados cada
vez melhores. Muitas vezes, os líderes demonstram comportamentos opostos aos requeridos
e emitem sinais contraditórios, comprometendo a disposição e o foco dos
funcionários em realizar esforços adicionais, para então atingir resultados diferenciados.
Estabelecer
uma cultura de alta performance também exige intervenção nas estruturas,
políticas e procedimentos: é preciso influenciar e orientar positivamente,
monitorando todas as formas de
comunicação corporativa. As organizações de alta
performance se diferenciam pela eficiência em tratar as questões humanas.
Ao
criar um ambiente que estimula os colaboradores, as companhias retêm
profissionais e reduzem custos com atração, recrutamento e seleção, integração, treinamento e desenvolvimento, sem falar na melhoria
de produtividade. O fim das informações truncadas - um bom começo para se criar
uma cultura de alta performance - reduz os riscos à estratégia do negócio,
diminui perdas, eleva a produtividade e gera valor para a imagem corporativa.
O
que predomina nas companhias é o alto desempenho pontual, aquele esforço que
une a equipe para responder a uma emergência. Na cultura de alta performance,
as pessoas são estimuladas de maneira consistente e constante em um ambiente
favorável à obtenção de resultados cada vez melhores. Também não são desviadas
ou confundidas em seu processo de execução, mantendo o foco no que é prioritário.
As
culturas de alta performance se sustentam no tripé Valores, Liderança e Estratégia.
O comprometimento da empresa para com seus funcionários ajuda a determinar o
compromisso destes com a organização e suas metas e, por esta razão, predispõe
a equipe a buscar resultados superiores ao padrão.
Na
cultura de alta performance, o líder é modelo, assegurando um ambiente
favorável para que as pessoas concentrem sua energia, trabalhem com
tranquilidade e compromisso, sintam-se confiantes em relação ao que têm de
fazer e, assim, transformem empenho e recursos em resultado máximo.
Na
prática, a cultura organizacional é a forma como as pessoas realmente se
comportam em uma organização; como interagem, seus comportamentos, atitudes, e como as
relações se estabelecem. Cada organização desenvolve sua cultura a partir da
constatação dos funcionários de como as coisas "realmente acontecem".
Tudo isso é mediado pelos valores organizacionais.
O
que vale não é o que é dito, mas os fatos, o que é visto e demonstrado no dia a
dia. Muitas vezes, ao desconhecer o contexto de uma decisão, funcionários
julgam mal seus líderes, o que reforça a necessidade de transparência.
A
cultura vigente só se modifica quando os comportamentos,
valores e liderança mudam e se manifestam consistentemente ao longo do tempo,
apoiados por mecanismos de gestão adequados. Isto significa que, além de
uma liderança inspiradora, as políticas e mecanismos relacionados ao desempenho,
reconhecimento e recompensa precisam estar adequadamente definidos. Ou então
haverá mensagens truncadas que afetarão de maneira negativa o comportamento organizacional.
Assim,
como na sociedade em geral, também nas empresas a impunidade e a falta de
consequências fazem muitos estragos. Se um projeto prioritário é iniciado, ele
precisa ser finalizado. Os líderes devem mobilizar os recursos necessários e
implementar ações de follow up. Não basta só ficar cobrando a implementação, é
preciso assegurar os avanços com sua equipe, celebrar conquistas, reconhecer
esforços e corrigir o que não está indo bem.
Decisões
impopulares precisam ser tomadas e a não entrega de um projeto precisa ter
efeitos visíveis. Não basta premiar o correto. É preciso perceber as
consequências para os compromissos assumidos e não realizados. O que não é
tolerado pela organização precisa sempre estar claro para todos.
A
transformação cultural exige um RH estratégico, com processos e políticas que
facilitem o desenvolvimento da cultura desejada. Assim, facilitam
a implementação de uma nova cultura: perfil adequado para as contratações, gestão do desempenho, ações de treinamento e desenvolvimento, modelos de
reconhecimento, promoção, remuneração e até a formação de agentes de mudança.
O
desafio é eliminar as mensagens contraditórias. O enraizamento dos novos comportamentos depende das novas mensagens,
em substituição aos velhos costumes, que validem uma nova cultura
organizacional. Esse é o caminho.
*Patrícia Molino é sócia-líder e Giselle Ponce gerente sênior da área de People & Change da KPMG no Brasil.
*Patrícia Molino é sócia-líder e Giselle Ponce gerente sênior da área de People & Change da KPMG no Brasil.

